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Obama ataca offshoring e promete mudar a política de imigração

Objetivo é facilitar a permanência nos EUA dos talentos estrangeiros que frequentam as universidades americanas para resgatar o poder de inovação e de empreendedorismo.

Patrick Thibodeau, Computerworld/EUA
25 de janeiro de 2012 – 11h43

Em seu discurso ao Congresso nesta teraça-feira, 24/1, o presidente Barack Obama atacou o offshoring, exortou as empresas a trazerem sues empregos de volta para os EUA, e renovou o seu apelo por reformas nas políticas de imigração para manter os estudantes estrangeiros nos Estados Unidos após a graduação avançada.

Em seu discurso anual State of the Union o presidente fez muitas referências à tecnologia, à criação de empresas e à inovação. E instou o Congresso a propor políticas que ajudem “a cada tomador de risco e empresário aspirar se tornar o próximo Steve Jobs.” Laurene Powell Jobs, viúva do fundador da Apple, estava presente no Congresso, entre os convidados.

Até agora, a administração Obama teve desempenho pouco claro no setor de TI, especialmente na devolução empregos na indústria de tecnologia offshore. E não é a primeira vez que apela aos legisladores para promoverem mudanças nas regras de imigração com o objetivo de facilitar a emissão de green cards para estudantes estrangeiros com graduação avançada.

Nesse discurso, o presidente disse: “Outros vêm aqui do exterior para estudar em nossas escolas e universidades Mas assim que obtêm graduação avançada, os enviamos de volta para casa para competir conosco. Não faz sentido…”

Em maio do ano passado, a Casa Branca divulgou um documento sobre a reforma migratória que propõe “fortalecer o programa H-1B para preencher a necessidade de trabalhadores altamente qualificados, em área onde os trabalhadores americanos não estão disponíveis. A administração Obama não detalhou o que tal “fortalecimento” significava, em termos do visto H-1B. Mas a Casa Branca está apoiando a ideia de ter green cards disponíveis para “selecionar graduados”.

No discurso deste ano, Obama renovou também seus apelos para proteger os gastos de pesquisa e desenvolvimento, “o mesmo tipo de pesquisa básica e inovação que levou ao chip de computador e à Internet”, exemplificou.

Mas em todas as áreas relacionadas à tecnologia citadas por Obama ontem à noite, há problemas. Em 2008, aproximadamente 75% do trabalho de P&D estava sendo executado no onshore os EUA, de acordo com Phil Fersht, da HFS Research. Desde então diminuiu para 65%. O instituto de pesquisa reuniu dados de cerca de 5 mil empresas durante um período de 18 meses.

“Grandes empresas americanas de TI estão cada vez mais dependentes de talentos indianos para a realização do trabalho mais complexo de desenvolvimento de software”, disse Fersht.

O aumento do offshoring não significa necessariamente que os trabalhos de desenvolvimento estão desaparecendo. Graus de terceirização variam por tipo de trabalho. Apesar do movimento contínuo de postos de trabalho offshore, o setor de tecnologia está adicionando posições. A Forrester Research afirma que no ano passado descobriu que 131 mil empregos e serviços de desenvolvimento de software foram abertos e preenchidos no mercado americano.

Na fabricação de produtos de alta tecnologia, Obama também tem um caminho difícil pela frente. A National Science Foundation informou recentemente que o número de empregos de alta tecnologia de produção diminuiu 28% desde 2000, em parte, devido às melhorias de automação e offshoring.

O apelo de Obama ao Congresso para financiar mais pesquisas enfrenta ventos contrários também. Um relatório do Departamento de Comércio dos EUA este mês mostra que os EUA forneceram cerca de 70% de todos os dólares gastos em 1980 em pesquisa básica; esse valor caiu para 57%

Obama deve anunciar medidas que podem agilizar visto a brasileiros

Atualizado às 12h23.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará um discurso nesta quinta-feira em Orlando, no Estado da Flórida, no qual deve anunciar novas medidas para alavancar o turismo no país, entre elas, uma menor burocracia para a emissão de vistos a países emergentes, de acordo com a imprensa americana.

Segundo o site de notícias ABCNews, entre os planos que devem ser divulgados por Obama estarão medidas para simplificar o processo de obtenção de vistos turísticos e a colocar estimadamente cem novos cônsules em países como Brasil e China.

A reportagem cita como um dos objetivos das medidas incentivar as brasileiras que completam 15 anos a viajarem aos EUA, ao invés de realizarem grandes festas de debutante. Executivos da Disney World citados estimam que, por conta dos atrasos com os vistos, já perderam a vinda de milhares de adolescentes.

Obama deve chegar a Orlando a bordo do Air Force One às 11h40 locais (14h40 no horário de Brasília). Ele se dirige então ao Castelo da Cinderela, na Walt Disney World, onde deve discursar às 12h35.

SXC
Castelo da Cinderela, um dos cartões-postais do Walt Disney World, onde Obama fará discurso
Castelo da Cinderela, um dos cartões-postais do Walt Disney World, onde Obama fará discurso

De acordo com a imprensa americana, as medidas que devem ser anunciadas farão parte de um programa permanente do governo chamado Global Entry (“Entrada Global”, em tradução livre), que, entre outras, reduz o tempo de espera em postos aduaneiros dos EUA para viajantes de “pré-aprovados de baixo risco”.

POSSÍVEIS MEDIDAS

A Casa Branca ainda não divulgou detalhes sobre a estratégia de Obama para impulsionar o turismo. Blain Rethmeier, da Associação de Viagem dos EUA, citado pelo site do USA Today, disse que o governo deve defender que o tempo de espera de muitos estrangeiros seja reduzido.

De acordo com o ABCNews, Obama deve anunciar que, além de ter que esperar em média 40% menos tempo para conseguir o visto, o público brasileiro não terá mais que passar por processos de entrevista para obter o documento.

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress

O USA Today reitera a possibilidade, afirmando que os EUA podem incluir Brasil, Argentina, Chile, Polônia e Taiwan na lista de países cujos cidadãos podem visitar o território americano sem ter que apresentar um visto de turista antes de viajar, como acontece com europeus, japoneses e australianos.

ECONOMIA

A Associação de Viagem dos EUA estima que os atrasos no visto já custaram US$ 606 bilhões à economia americana e 467 mil empregos na última década. Segundo seus cálculos, a cada 35 turistas que visitam o país, uma vaga de trabalho é criada.

O ABCNews afirma que a Casa Branca espera criar 1,2 milhão de novos empregos com as novas medidas e acrescentar US$ 859 bilhões à economia dos EUA até 2020, apenas com os incentivos dados pelos gastos de cerca de US$ 140 bilhões dos turistas estrangeiros por ano.

Turistas do Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– gastam cerca de US$ 6.000 por pessoa quando viajam aos EUA, segundo o site.

DISCUSSÕES

Lobbies de turismo, negócios e varejo dos dois países pedem ao Congresso dos EUA e ao Departamento de Estado –que investe para reduzir a fila nos consulados– que relaxem a lei da dispensa do visto e incluam o Brasil.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Hoje, duas leis tramitam pelo Senado dos EUA visando acelerar o processo para os brasileiros tirarem o visto, e os grupos de pressão veem aí chance de derrubar a exigência do documento.

O motivo está no bolso: em 2010, o total de visitantes brasileiros nos EUA saltou 34%, e seus gastos médios cresceram 30%. Mas a questão da isenção –que hoje beneficia 36 países– vai além.

O próprio Itamaraty, conforme a Folha apurou em dezembdo, tem preocupação com possíveis reveses decorrentes da dispensa, como um aumento de brasileiros barrados em aeroportos.

No ano fiscal encerrado em outubro, foram concedidos 820 mil vistos a brasileiros, salto de 44% sobre 2010. Para a China, foi 1 milhão, alta de 33%. A meta anunciada para 2013 é mais do que duplicar esse total, chegando a 1,8 milhão no Brasil e 2,2 milhões na China.

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