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Dificuldades económicas da UE são temporárias

A China acredita que os problemas económicos da União Europeia são temporários e vai continuar a apoiar os esforços para a região lidar com a crise da dívida soberana, disse o vice-presidente chinês, Xi Jinping, antes de visitar este sábado a Irlanda.

«A China não pensa que se deve falar baixo ou pouco sobre a Europa porque acreditamos que as dificuldades [económicas] que enfrenta são temporárias», disse o governante chinês ao jornal «Times» irlandês.

Xi Jinping deverá ascender à presidência do país no próximo ano.

«A União Europeia (UE), os governos e povos por toda a Europa têm a capacidade, a sabedoria e os meios para resolver o problema da dívida soberana e conseguir a recuperação económica e o crescimento», disse Xi Jinping.

O governante realçou ainda que, como maior economia do mundo e principal parceiro comercial de Pequim, a União Europeia foi importante para a China e tornar-se-á ainda mais com «a contínua expansão» da cooperação bilateral.

«O relacionamento da China com a Europa é tido como uma das prioridades estratégicas da diplomacia chinesa. Apoiamos o processo de integração europeia e os esforços dos países-membros da UE, incluindo a Irlanda, para superar as dificuldades e conseguir a recuperação económica», disse ao jornal irlandês, citado pela Lusa.

«Temos oferecido ajuda sincera aos nossos amigos europeus de acordo com os nossos meios, através do aumento do investimento mútuo e da cooperação empresarial».

O vice-presidente chinês disse também que «a China vai continuar a apoiar, à sua maneira, os esforços da União Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para enfrentarem o problema da dívida».

«Uma Europa que está unida, estável e próspera, vai certamente dar uma contribuição valiosa para um crescimento forte, equilibrado e sustentável da economia mundial».

Xi chegou esta tarde à Irlanda, para uma viagem de três dias, nove anos depois de ter visitado pela primeira vez o país, e de ter passado pelos Estados Unidos.

Na Irlanda, o governante chinês vai manter conversações com o primeiro-ministro, Enda Kenny, e participar num Fórum Irlanda-China sobre comércio, em Dublin, que contará com responsáveis de 300 empresas.

A Irlanda foi severamente atingida pela crise financeira global e forçada a recorrer, em Novembro de 2010, a um resgate no valor de 85 mil milhões de euros, após a enorme dívida que deixou a economia à beira do colapso.

Europa em crise pode contar com Brasil, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff ofereceu segunda-feira a ajuda do Brasil para combater a crise na União Europeia (UE). “O Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades com espírito cooperativo. Somos parceiros da União Europeia. Ela pode contar com o Brasil”, afirmou em entrevista coletiva depois de se reunir em Bruxelas com os presidentes do do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, durante a quinta cúpula UE-Brasil.

DilmaA presidenta Dilma com com os presidentes do do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em Bruxelas

-Queremos afirmar aqui que o êxito da União Europeia é extremamente importante não só para os europeus, mas para toda a humanidade, e que o Brasil será sempre uma voz solidária com a UE-, disse a presidente.

Dilma afirmou que a solidez da economia brasileira e de outros países emergentes “mostraram nos últimos meses que crescimento e geração de empregos são compatíveis com responsabilidade fiscal e equilíbrio”.

Também voltou a ressaltar a experiência do Brasil em crises semelhantes à que enfrenta a zona do euro atualmente e repetiu que “a história mostra que só seremos capazes de sair da crise com medidas de estímulo ao crescimento econômico somadas a políticas de estabilidade macroeconômicas, assim como políticas sociais, de criação de empregos e de crescimento”.

Durante a cúpula, Brasil e a UE assinaram acordos de cooperação nas áreas de transportes aéreos, desenvolvimento tecnológico, políticas espaciais, cooperação cultural e turismo.

O Brasil é o quarto principal destino dos investimentos europeus, tendo recebido US$ 8 bilhões em 2010, e se situa como o sexto principal investidor na UE, com um aporte de US$ 5 bilhões nesse mesmo ano.

Copa do Mundo

No primeiro dia de sua visita a Bruxelas, a presidente defendeu o aumento de investimentos e incentivos ao consumo como arma para enfrentar a crise durante uma reunião bilateral com o primeiro-ministro belga interino, Yves Leterme.

Também se reuniu com o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, a quem prometeu rever alguns pontos da Lei Geral da Copa para chegar a um acordo com a entidade a respeito de pontos polêmicos, como a concessão de meia-entrada a estudantes e idosos, a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e o combate à pirataria envolvendo produtos do Mundial.

Depois de encerrar a cúpula UE-Brasil, a presidente foi recebida pelo rei belga, Alberto II, para um almoço no castelo real de Laeken.

Ainda na terça-feira, ela pronunciará um discurso em uma cúpula bilateral empresarial e participará da inauguração da bienal Europalia Brasil, antes de seguir viagem à Bulgária.

Na sexta-feira, a presidente viaja à Turquia, onde se reunirá com o presidente, Abdullah Gul, e o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

Crise será superada até 2014, diz chefe de fundo europeu

O chefe do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira  (EFSF, na sigla em inglês), Klaus Regling, acredita que a zona do eurovai superar sua atual crise de dívida até 2014. “Pode-se esperar que a crise esteja encerrada dentro de dois a três anos”, disse ele à revista alemã Spiegel de hoje. “Os fundamentos estão melhorando em todos os países da zona do euro.”Todos os países começaram a colocar suas finanças em ordem e alguns dos mais afetados pela crise, como a Irlanda, já deram início à sua reorganização, completou ele. O EFSF foi montado no ano passado para ajudar países afetados pela dívida. Sua função deverá ser ampliada em breve, em linha com medidas acordadas por líderes da zona do euro no mês passado.O chefe do EFSF acredita que a situação financeira da zona do euro está melhor do que a dos Estados Unidos. “O déficit dos EUA, por exemplo, é três vezes maior do que o da zona do euro”, disse ele. As informações são da Dow Jones.