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Pessoal eu nunca fui a Irlanda, mas este país cada vez mais faz parte do roteiro de jovens brasileiros em viagens de intercambio. Apesar de não conhecer sou fascinado pelo país, principalmente depois de ter assistido os filmes “Meu pé esquerdo”estrelado por Daniel Day Lewis e “The Commitments”do Diretor Alan Parker. Mas o texto abaixo não é meu, é da jornalista Kelly Isis Pelisser, que morou em Dublin por seis meses e agora está de volta à boa comida e ao bom vinho da Serra gaúcha.

A Irlanda não é propriamente um paraíso do turismo gastronômico. Talvez a explicação esteja na pequena extensão da ilha e com um solo pouco fértil, ou seja, a oferta de alimentos nunca foi das melhores por lá. Não há um prato típico do país. Os que chegam mais perto disso são, na verdade, os mesmos da Grã-Bretanha. E não poderia ser muito diferente, afinal, por 800 anos, a Irlanda pertenceu ao Reino Unido. A independência do país é recente, de 1923. Os pratos mais tradicionais são o stew, um ensopado de batatas, outros legumes e carne, e o fish and chips, peixe empanado com batatas fritas. Ah, atenção para as batatas: são cortadas em bastão, não em palitos, como as brasileiras.


Aliás, praticamente tudo leva batatas. O legume é o principal acompanhamento, como o arroz é no Brasil. Pode ser purê, fritas, assadas, em saladas: sempre estarão no prato ao lado de carnes ou de outra receita. Afinal, batatas crescem em qualquer tipo de solo. A Irlanda enfrentou duas grandes fomes no passado, em 1740 e 1847, quando morreram mais de 1,5 milhão de pessoas e outras 1 milhão migraram para os EUA pela falta do vegetal: na primeira vez, por causa de uma geada forte e, na segunda, em função de ferrugem, uma praga que assolou as batatas.

Mas nem só do legume vive a ilha. O tradicional café da manhã é o mesmo que o inglês: bacon, ovos fritos e o feijão branco com molho vermelho. Sim, eles comem feijão em molho de tomate adocicado. Não é tão ruim quanto os brasileiros costumam pensar. Depois desse café da manhã, eles não almoçam. O horário do meio-dia é destinado a um lanche rápido, quase sempre um sanduíche. A principal refeição do dia é o jantar, tradicionalmente às 18h (sim, super cedo).
Particularmente, acho que o estilo de vida adotado pelos irlandeses, que prioriza a praticidade, contribui para a obesidade no país. Fast food, frituras e alimentos pré-prontos estão à mesa da maioria das casas da ilha. As frutas são importadas, ou da América do Sul ou da África, e, por isso, caras.

Mas, quando se fala em bebida, a coisa muda. A cerveja é uma instituição nacional. Eu brinco que deve haver mais pubs do que supermercados em Dublin. Se você estiver com sede é mais fácil de resolver do que se estiver com fome. Mas, brincadeiras à parte, é verdade que os irlandeses bebem muito, muito mesmo, apesar de haver inúmeras leis para coibir o consumo de álcool. A mais tradicional cerveja é a Guinness, da inconfundível marca do tucano. A cervejaria que fica no coração da cidade é paixão nacional. Nos pubs, ela só é vendida em pints, medida de cerca de meio litro. Ou seja, dois copos e você já terá bebido um litro de cerveja! A Guinness é uma draught do tipo stout, escura, um tanto cremosa, criada há 252 anos (!). Nos pubs, as cervejas sempre saem de máquinas (parecidas com as de chopp no Brasil). As importadas são vendidas em long necks (tem Brahma para vender lá, produzida no Reino Unido, mas vendida como “Brazilian beer”). A função nos pubs começa cedo, lá pelas 18h, e também acaba cedo, ali pela meia-noite durante a semana e às 2h aos sábados. O bom é que para entrar não se paga ingresso.

Além da cerveja, os irlandeses gostam de whisky. No centro de Dublin fica a fábrica da Jameson. Na Irlanda do Norte, está a Bushmills, a mais antiga destilaria de whisky do mundo ainda em atividade, inaugurada em 1608 (ou seja, há 403 anos). Nas prateleiras de supermercado ou lojas especializadas, vinhos têm lugar de destaque. Mas só importados, já que o país não produz uvas. É fácil encontrar rótulos sul-americanos – chilenos, argentinos e uruguaios (inclusive mais baratos do que encontramos por aqui). Mas nunca vi nenhum vinho brasileiro na Europa.
Bom, se a comida não é lá tão maravilhosa em Dublin, ao menos, quem gosta de cerveja ou de outras bebidas tem na cidade um ponto obrigatório de visita.
Sláinte*
*saúde, em irlandês
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