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Babá brasileira é disputada nos EUA

Consideradas carismáticas e talentosas, elas ganham em média US$ 3,5 mil por mês

07 de abril de 2012 | 15h 33

NOVA YORK – Com uma média salarial variando de US$ 3 mil a US$ 4 mil por mês – e em alguns casos ultrapassando os cinco dígitos -, as babás brasileiras são disputadas por mães americanas e de outras nacionalidades em Nova York.

A babá Jaqueline passeia com bebê na região do Upper West Side - Gustavo Chacra/AE
Gustavo Chacra/AE
A babá Jaqueline passeia com bebê na região do Upper West Side

Suas vidas se parecem mais às do seriado de TV Supernanny, passado em Manhattan, que às de babás do filme História Cruzadas, sobre as domésticas negras que sofriam preconceito ao educar crianças brancas do Mississipi nos anos 1960. Elas viajam pelo mundo com os patrões e conseguem economizar em um ano o que demorariam uma década na mesma profissão no Brasil.

Uma delas, Zenaide Munetton, incendiou o mercado das nannies, como são chamadas em inglês, depois que seu salário de US$ 180 mil por ano, mais bônus de Natal, foi citado em artigo do jornal New York Times. Essa renda é quase o dobro do que ganham recém-formados em MBAs de universidades como Columbia e NYU.

Segundo patroas entrevistadas pelo Estado, as brasileiras são consideradas mais talentosas, carismáticas e dispostas a colaborar com serviços domésticos e na educação das crianças do que rivais hispânicas. Algumas vivem com as famílias. Outras preferem ser profissionais liberais, trabalhando para diferentes pais. Há casos de babás tão bem sucedidas que chegam a contratar outra babá para cuidar dos filhos enquanto trabalham.

Há 30 anos nos Estados Unidos, Sonia virou exemplo para babás brasileiras de Manhattan. “Sempre trabalhei para a mesma família americana. Criei quatro crianças e, quando me aposentei, a mãe delas me deu um apartamento de presente.” Com o imóvel avaliado em cerca de US$ 1 milhão e o salário de três décadas, ela conseguiu educar os dois filhos, que vivem em Nova York, e dois sobrinhos órfãos no Rio de Janeiro. “Minha dica para as mais jovens é sempre perguntar aos patrões se pode mexer nas coisas da casa, levar nota de compras e manter boa aparência.”

Uma de suas pupilas é Jaque, apelidada de supernanny por causa do seriado de TV. Sempre sorridente e de uniforme colorido – em Nova York, roupas brancas e mesmo uniformes são raras em babás -, ela já trabalhou na área de marketing da indústria farmacêutica Merk e da companhia aérea Continental e passou por treinamentos em Houston, onde aprendeu inglês.

“Estudei Comunicação Social, tinha casa em Cabo Frio e um ótimo emprego, mas queria vir para Nova York”, afirmou, pedindo para omitir o sobrenome, como as outras, por não possuir documentos imigratórios. Ela acrescenta que não se arrepende nenhum minuto do privilégio de “ver a Nina e o Lucas crescerem”, referindo-se às crianças de quem cuida. Evangélica, diz que sua igreja acabou indiretamente a ajudando a conseguir o atual trabalho.

Nadir veio do Brasil com uma família que pagava apenas US$ 200 por mês. Ao perceber que estava sendo enganada, mudou de patrões. Depois de oito anos na mesma família, também pôde ajudar os filhos que deixou para trás. Hoje um terminou o doutorado em Biologia, outro é chefe de cozinha no litoral norte paulista, a filha é formada em Relações Internacionais. “Não me arrependo de ter vindo, mesmo ficando sem vê-los por tanto tempo. Caso contrário, não poderia ter dado educação a eles”, afirma a brasileira, que conversa com Gabriel e Tadeu, seus filhos adultos, todos os dias pelo Skype. Além disso, ela adora Nova York e as viagens para o luxuoso balneário dos Hamptons.

Ciência também avança em laboratórios caseiros

Movimento de ciência colaborativa feito em laboratórios comunitários e independentes cresce nos Estados Unidos

The New York Times | 22/01/2012 08:02

Foto: Michael Nagle/The New York Times

Da esquerda para a direita: Daniel Grushkin, Ellen Jorgensen, Russell Durrett and Sung Won Lim pesquisam no laboratório Genspace em Nova York

O laboratório doméstico de Cathal Garvey, em Cook, na Irlanda, está repleto de equipamentos improvisados. Seu incubador de bactérias fica em uma antiga caixa de transporte feita de isopor, com um tapete de aquecimento e um termômetro transformado em termostato. Para fazer esterilizações, ele usa uma panela de pressão, e não um sistema de autoclave. Alguns instrumentos foram confeccionados com latas de café.

No mundo emergente da ciência cidadã, cujo espírito está mais próximo de manuais de escoteiros que de pareceres de periódicos científicos, Garvey, um geneticista de 26 anos que trabalhou em um centro de pesquisa sobre o câncer há cerca de quatro anos, após concluir a pós-graduação, é uma espécie de herói. Ele é mais conhecido por ter inventado o DremelFuge, uma centrífuga de pequeno porte que pode ser fabricada em uma impressora 3-D. Seus planos estão disponíveis para todos online, de modo que qualquer um que tenha o desejo e os recursos para levá-los adiante pode fazê-lo.

Ele e outros cientistas da improvisação, ou biohackers, são parte de um movimento chamado DIYbio, abreviação de biologia do “do-it-yourself” _ isto é, do “faça-você-mesmo” _, que foi lançado oficialmente em 2008 com o site DIYBio.org, um canal online para compartilhar ideias. O site acumulou mais de dois mil membros desde a sua criação.

“Eu quero fabricar o tipo de ferramenta que torna mais fácil fazer biologia por conta própria, em casa”, contou Garvey.

Um dos focos de mobilização do movimento é o Genspace, um laboratório sem fins lucrativos de Nova York que está aberto a membros do público, independentemente da formação científica. Desde que ele abriu, em 2010, no sétimo andar do edifício de um antigo banco, laboratórios semelhantes surgiram em Boston e São Francisco.

O Genspace tem cerca de uma dúzia de membros, e cada um paga 100 dólares por mês para cobrir o aluguel e o que os técnicos de laboratório chamam de “consumíveis”: agentes químicos, tubos descartáveis e outros apetrechos que precisam ser substituídos regularmente.

Segundo Daniel Grushkin, jornalista que vive em Nova York e foi um dos fundadores do Genspace, a ideia inicial por trás do laboratório é semelhante à do desenvolvimento dos softwares de código aberto: quanto mais cérebros houver trabalhando de modo colaborativo na biotecnologia, mais provável se torna “chegar a ideias excelentes”.

A ideia de amadores que fazem a própria biologia tem levantado temores a respeito de um bioterrorismo deliberado e da criação não intencional de uma doença mortal. Mas criar um novo patógeno virulento está longe de ser fácil, e a comunidade do DIYbio adotou um conjunto de normas de segurança para minimizar tais riscos.

“Dentro de um âmbito muito restrito, é possível que alguém possa causar danos”, Garvey disse. “Mas eles só poderiam propagar uma doença se estivessem trabalhando com a doença.”

O Genspace tem uma política rígida contra trabalhar com qualquer coisa que possa infectar os seres humanos, e criou um conselho de segurança com peritos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA e de outras instituições para aprovar propostas de novas experiências.

Para os entusiastas do faça-você-mesmo, uma das coisas mais frustrantes pode ser o andamento dos processos. A biologia envolve trabalhar com organismos que, assim como bebês, precisam de atenção em momentos específicos.

“Muita coisa da biologia está apenas esperando para ser descoberta”, disse Charlie Schick, membro do DIYbio que reside em Boston e administra um blog chamado Molecularist. E medir uma dada temperatura incorretamente ou acrescentar uma substância química errada durante uma experiência significa que ela tem que ser iniciada novamente.

Um obstáculo ainda maior é o preço alto de muitos equipamentos: centrífugas e máquinas de reação em cadeia de polimerase baratas custam cerca de 3 mil dólares cada. O Genspace, por exemplo, não conseguiria ter adquirido todos os seus equipamentos apenas com os pagamentos dos membros: uma das fundadoras e atual presidente, Ellen D. Jorgensen, já trabalhou em um laboratório privado, que decidiu se livrar de alguns equipamentos após a recessão, quando foi obrigado a reduzir as suas operações. Ela se ofereceu para ficar com os instrumentos descartados.

Ainda assim, alguns biohackers acham que o que é mesmo necessário são equipamentos de laboratório mais simples e baratos.

“As pessoas superestimam o custo de funcionamento de um laboratório de biotecnologia”, disse Garvey. O custo do laboratório que ele tem em casa? Quatro mil euros, contou ele _ cerca de 5 mil dólares.