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Olimpíadas: Londres 2014 e Rio 2016

Como todos já sabemos, Londres vai ser a sede do maior evento esportivo mundial de 2012, os Jogos Olímpicos. Serão competições em 26 esportes, realizadas em 37 lugares diferentes; Londres receberá 14.700 atletas e 21 mil profissionais de mídias e emissoras, e será o centro das atenções do mundo todo por duas semanas, do dia 27 de julho a 12 de agosto.

Um acontecimento desta dimensão e importância envolve o trabalho de um número absurdo de pessoas. Só a abertura, que será realizada no Estádio Olímpico de Londres, precisa da dedicação e talento de profissionais de diversas áreas. A revista londrina Time Out London publicou no seu website uma matéria intitulada “O segredo do meu sucesso” com os perfis das pessoas por trás das Olimpíadas Londres 2012. Exemplos como o coreógrafo oficial das apresentações de abertura e encerramento e o engenheiro de estrutura responsável pelas construções responderam perguntas sobre escolhas e realizações profissionais. É uma oportunidade bacana de ouvir e inspirar-se com depoimentos de profissionais experientes e ficar por dentro dos preparativos para os Jogos Olímpicos.

Se a sua vontade é estudar na Inglaterra, o momento é propício. Um intercâmbio durante o ano de 2012 será repleto de diversidade cultural e vivência profissional, resultado da realização dos Jogos em Londres.

Rio 2016

Vale ressaltar que, em 2016, o Rio de Janeiro será a sede das Olimpíadas, que irá demandar profissionais de inúmeras áreas. O responsável em selecionar a enorme equipe que trabalhará nos Jogos é Henrique Gonzalez, Diretor de Recursos Humanos do Comitê Organizador Rio 2016. Em entrevista ao site oficial do Rio 2016, Gonzalez contou que procura “profissionais que tenham essa característica de topar desafios, que queiram aprender, que gostem de mudança. Queremos pessoas naturalmente confiantes no seu trabalho”. O processo de seleção já começou e os profissionais interessados podem enviar os seus currículos para as vagas disponíveis.

A Comissão irá precisar também de 70 mil voluntários que irão desempenhar diversas funções durante os Jogos. É uma ótima oportunidade de adquirir experiência profissional em um evento assistido no mundo inteiro. As universidades internacionais valorizam estudantes estrangeiros que possuem trabalhos voluntários em seus currículos acadêmicos.

5 dicas de como melhorar a sua experiência no exterior

Pequenos detalhes podem te ajudar a conviver com pessoas de diferentes culturas.

1. Não conviva APENAS com brasileiros. Ter amigos brasileiros no exterior é ótimo! De tanto treinar o inglês, às vezes é preciso falar um pouco de português para descansar a mente. Além disso, o convívio com eles é como ter um pedacinho do Brasil lá fora. No entanto, não se limite a apenas as amizades brasileiras. Lembre-se de que você está no exterior para treinar o idioma e estudar, portanto conviva também com quem pode lhe ajudar a atingir este objetivo. Além do mais, é muito bom ter amigos do mundo todo! (Outra boa ideia é combinar entre os seus amigos brasileiros de conversar em inglês).

2. Não se irrite com os erros dos estrangeiros sobre o Brasil. Ok, é bastante irritante ter que corrigir que a capital do Brasil não é o Rio de Janeiro ou que a sua língua nativa é o português e não o “brasileiro”. Mas responda-me uma coisa: o que você sabe sobre a Singapura? Ou sobre a Hungria? Quais línguas são faladas na Tunísia? Não sabemos e nem somos obrigados a saber tudo sobre outros países. A recíproca é válida. Os estrangeiros vão errar a capital do nosso país, vão achar que falamos espanhol, e vão abusar dos estereótipos brasileiros (Carnaval, futebol, favelas, praias…). Mas que culpa têm eles se isso é quase tudo que se é normalmente mostrado sobre o Brasil no exterior? Encare estes errinhos como uma chance de ensinar os estrangeiros sobre o nosso país.

3. Não leve muita bagagem. Você vai acabar comprando um monte de coisa no seu país de destino. Roupas, lembranças, presentes, bugigangas, eletrônicos… Os preços são, normalmente, mais baratos lá fora e, inevitavelmente, você irá juntar uma quantidade absurda de bagagem para trazer de volta quando o seu período de estudo terminar. Portanto, é desnecessário lotar as suas malas na ida.

4. Não deixe que o apego pelos costumes brasileiros prejudique a sua experiência no exterior. É normal sentir saudades, precisar de uma semana – ou algumas – para se adaptar, estranhar alguns costumes… Mas de que vale morar em outro país sem vivenciar e aprender uma nova cultura? Mantenha sempre a mente aberta aos costumes estrangeiros: experimente novos pratos, use vestuários nativos, fale as gírias regionais. Não tenha medo de experimentar e, dessa forma, aprender – e muito! – com as diferenças culturais. Por isso, é preciso um pouco de desapego pelos seus costumes brasileiros e evitar comparações.

5. Leve os estudos a sério. As distrações serão muitas e tentadoras: viagens, passeios, festas, baladas, reuniões com os amigos, conhecer novos lugares. Obviamente, você não deve ignorá-las, mas saiba intercalá-las com a sua rotina fixa de estudo, sem prejudicá-la. Dedique-se ao seu curso e tire o máximo proveito dele. Faça valer o dinheiro gasto na sua educação e a oportunidade tão única e tão maravilhosa que é estudar no exterior.

Pronto! Agora que já demos os nossos conselhos, é com você!

Por Brenda Bellani
Fonte: Hotcourses Brasil

Governo estuda mudar lei para entrada de profissionais estrangeiros

Governo estuda mudar lei para entrada de profissionais estrangeiros
Mais de 50 mil estrangeiros conseguiram visto de trabalho no Brasil em 2011. Governo quer facilitar a entrada de profissionais do exterior.
O Brasil virou destino de milhares de estrangeiros que sonham com uma oportunidade de emprego. Já tem empresa de olho nesses profissionais. O governo quer facilitar a entrada no Brasil dessa mão de obra qualificada.
Por causa da crise lá fora, o Brasil vive um bom momento. Americanos, europeus e haitianos, todos agora querem vir para trabalhar no país. Cabe ao governo, decidir o que fazer com nossas fronteiras. Uma proposta é facilitar a imigração, mas para os profissionais qualificados.
O que fez o professor de gastronomia Pablo Alejandro André deixar a Argentina para vir para o Brasil? O samba definitivamente não foi. Futebol menos ainda. Ele foi convidado para montar um curso superior de gastronomia em Brasília. Com a economia brasileira bombando, segundo ele, era “o” lugar. “A maioria fala que, se hoje tiver de escolher um lugar para desenvolver profissionalmente, o Brasil da América Latina é um dos melhores lugares”, afirma o professor.
Os investimentos aumentaram e trouxeram novas tecnologias, novas empresas e gente de fora. No ano passado, até setembro, mais de 52 mil estrangeiros conseguiram vistos de trabalho, 34% mais do que no mesmo período de 2010. A maioria está em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mais da metade tem no mínimo curso superior.
Outra característica é a vontade de ficar no Brasil. Gustavo Romero é da Guatemala. Veio estudar e foi ficando. Casou-se com uma brasileira, conseguiu cidadania e hoje é pesquisador da Universidade de Brasília (UnB). “Hoje minha decisão é não voltar. O Brasil oferece para mim uma carreira acadêmica. Ou seja, dá oportunidade de eu ser professor, ser médico clínico em um hospital público federal”, comenta.
O Brasil agora quer abrir as portas e facilitar mesmo a entrada de profissionais que ainda faltam no país de todas as áreas, mas principalmente de engenharia, que não teria como formar na mesma velocidade do desenvolvimento econômico. Foi o que avaliou o governo, que promete dentro de dois meses apresentar um projeto de uma nova política de imigração.
O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão Pires Junior, do Ministério da Justiça, diz que a entrada de imigrantes é inevitável, mas não preocupante. “É o momento de nós sabermos aproveitar dessa vinda desse capital humano, com a sua riqueza cultural, com a sua potencialidade de contribuir efetivamente no nosso desenvolvimento e nas nossas atividades produtivas”, declarou.
Dificuldades com a língua acabam sendo um mero detalhe. “Se o povo não entender, coloca a legenda”, brinca o professor espanhol Pedro Delgado Hernández.
Em relação à nacionalidade, os americanos continuam imbatíveis. São os primeiros da fila para entrar. Mas, de acordo com o secretário nacional de Justiça, dos quatro milhões de brasileiros que viviam no exterior, dois milhões voltaram. Quem saiu também está de volta em busca de melhores oportunidades.

 

Trabalho de sobra no Brasil atrai desiludidos da Europa

Por RICHARD BOUDREAUX e PAULO PRADA, de Madri e São Paulo

Logo depois que o estouro da bolha no mercado imobiliário espanhol deixou Andrés Velarde e Maria Palencia desempregados, os jovens arquitetos pegaram seus materiais para desenho e viajaram 8.000 quilômetros até o Brasil — atraídos pela esperança, mas não a certeza, de um emprego.

Em menos de cinco semanas, o casal espanhol já estava trabalhando. O Brasil estava expandindo o seu programa de moradia para pessoas de baixa renda e correndo para construir estádios, terminais de aeroporto e hotéis para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

“A crise lá em casa é uma notícia distante”, disse Velarde, que já está há oito meses no seu novo emprego no Rio de Janeiro. “No Brasil há crescimento e otimismo, uma atmosfera de alegria totalmente diferente da Europa.”

Gustavo Pellizzon for The Wall Street JournalMaria Palencia e Andrés Velarde, arquitetos espanhóis que mudaram para o Rio em busca de emprego. E conseguiram

A crise econômica está afugentando dezenas de milhares de trabalhadores qualificados da Europa, e muitos estão sendo seduzidos pelas pujantes ex-colônias da Europa na América Latina e África, revertendo antigos padrões migratórios. Ásia e Austrália, assim como Estados Unidos e Canadá, também vêm absorvendo emigrantes da zona do euro.

Ao mesmo tempo, o fluxo de imigrantes do Terceiro Mundo, cujo trabalho ajudou a impulsionar o crescimento da Europa nas últimas décadas, está esmorecendo. Centenas de milhares deles, incluindo funcionários de maior qualificação, estão voltando para casa.

Tal êxodo está causando temores sobre as possíveis consequências de longo prazo da crise econômica — uma fuga de talentos pode prejudicar as economias mais fracas da zona do euro na sua luta para sair da recessão.

“Trata-se de uma hemorragia de pessoas altamente educadas — exatamente as que eles precisarão para decolar quando as circunstâncias melhorarem”, disse Demétrios Papademetriou, presidente do Instituto de Política Migratória, uma organização sem fins lucrativos de Washington.

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O número de emigrantes está crescendo em Portugal e Espanha, que estão perdendo trabalhadores qualificados para as suas antigas colônias. Mais pessoas estão saindo do que chagando à Espanha, Portugal, Irlanda, Eslovênia e Chipre, e o governo da Grécia está preocupado com uma tendência semelhante que começa a tomar forma no país. A União Europeia não tem dados consolidados de emigração, mas é crescente a preocupação com o efeito dos cortes severos de orçamento no Reino Unido, França, Alemanha e Itália, todos vendo pesquisadores de talento irem embora.

O Rei Juan Carlos enfatizou as perdas da Espanha com uma pungente observação, ao distribuir bolsas de estudo a jovens espanhóis que estavam indo fazer pós-graduação no exterior.

“Espero e desejo sinceramente que, quando chegar a hora de vocês voltarem para casa, haverá mais trabalho e vocês possam ficar aqui,” disse ele em março ao grupo de 121 ganhadores. “Nós realmente precisamos de vocês na Espanha.”

Durante a próspera década que terminou em 2008, a Espanha recebeu uma das maiores ondas de imigrantes da história. Trabalhadores estrangeiros chegavam a um ritmo de 500.000 por ano para impulsionar a construção e o setor de serviços, fazendo do país europeu o principal destino dos imigrantes.

No ano passado, com o desemprego passando de 20%, a Espanha exportou mais gente do que recebeu pela primeira vez desde 1990, de acordo com o Intituto Nacional de Estatística. Houve 55.626 mais pessoas saindo do que chegando ao país nos primeiros nove meses de 2011, segundo o instituto.

Os espanhóis estão se espalhando por países europeus em melhor situação e outros mais distantes, em especial na América Latina. Dos estimados 37.000 cidadãos espanhóis que deixaram o país em 2010, cerca de 60% emigraram para países fora da União Europeia.

Pelo menos 100.000 portugueses deixaram o país em 2011, depois de uma década de fraco crescimento econômico e crescente endividamento nos países mais pobres da Europa Ocidental. Na África, a aquecida economia de Angola absorveu 70.000 portugueses desde 2003, de acordo com dados do governo português. No Brasil, o número de portugueses trabalhando com vistos de trabalho deu um salto de 52.000 nos dezoito meses encerrados em junho de 2011.

O Brasil vem lucrando com o declínio europeu. O país está atraindo engenheiros estrangeiros e outros profissionais da construção para ajudar nos seus projetos de moradia, energia e infraestrutura, com os quais o governo planeja gastar US$ 500 bilhões até 2014, mais do que o dobro do produto interno bruto de Portugal.

O Brasil precisará de cerca de 1,1 milhão de engenheiros em 2020, quase o dobro do que tem hoje, segundo o Instituto de Pesquisas Aplicadas, o Ipea. “Estamos treinando pessoas o mais rápido que podemos,” disse Paulo Safade Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a CBIC.

Só nos primeiros seis meses do ano passado, o número de estrangeiros morando no Brasil com vistos temporários de trabalho e outros vistos similares cresceu quase 50%, para 1,46 milhão de pessoas, quase 330.000 delas vindas de Portugal e 60.000 da Espanha, de acordo com o Ministério da Justiça.

No final dos anos 90, Espanha e Portugal haviam deixado de ser pobres, adotado o euro e estavam importando trabalhadores. As periódicas emigrações em massa de trabalhadores de baixa qualificação de Portugal e Espanha para o norte da Europa e América Latina, as mais recentes nos anos 50 e 60, pertenciam agora à história.

Com a crise europeia e o boom brasiliero, os padrões migratórios estão mudando de novo.

Os brasileiros agora estão voltando para casa em número recorde. O governo estima que perto de metade dos emigrantes do país retornou — dos mais de três milhões de brasileiros vivendo no exterior em 2007, hoje restam menos de dois milhões.

Embora muitos dos que estão regressando sejam trabalhadores manuais, o fenômeno também causou uma inversão no fluxo de capital intelectual. Necessitando avidamente de conhecimento e pessoal para ajudar o crescimento a atingir seu potencial pleno, o mercado de trabalho do Brasil está absorvendo seus próprios emigrantes de nível superior assim que eles retornam.

Papademetriou, do Instituto de Política Migratória, disse que esse movimento transatlântico é parte de uma transferência global mais ampla de talentos para as dinâmicas economias emergentes. “Isso terá um efeito dramático no ritmo e profundidade do crescimento,”disse ele. “É uma dávida para elas.”

Oriol Flaquer, que tem um mestrado em administração, enquadra-se no perfil do novo emigrante espanhol — jovem, multilingue, profundamente pessimista em relação à Europa e pronto para se mudar para onde as coisas estão acontecendo.

“A Europa vai precisar de pelo menos uma década para se recuperar, se é que vai se recuperar,” disse o engenheiro industrial de 32 anos, falando de Cuernavaca, no México, para onde foi no ano passado trabalhar numa firma internacional de segurança digital. “Nunca, na minha opinião, a Europa terá o mesmo peso econômico que teve no passado.”

Mais gente deve deixar a Espanha num futuro próximo. A sua economia está crescendo a uma taxa anual de menos de 1%, e alguns economistas esperam que ela volte a cair numa recessão. Uma pesquisa recente da Randstad, uma empresa internacional de recursos humanos, mostrou que 62% dos espanhóis sem emprego estão dispostos a deixar o país para arranjar um.

As autoridades espanholas argumentam que a emigração deve ser vista como uma válvula de segurança de curto prazo, não como uma perda permanente para o país.

José Ramón Pin, vice-reitor da faculdade de administração Iese, de Madri, disse que os emigrantes ajudarão a Espanha “se eles voltarem com mais conhecimento e experiência”. Mas, numa recessão prolongada, acrescentou ele, “a questão é: Eles vão voltar?”

Líderes políticos na zona do euro estão divididos sobre como lidar com essa incerteza.

Espanha e Portugal encorajam desempregados a ir embora. A Espanha, no ano passado, assinou um acordo com a Alemanha, segundo o qual empresas alemãs oferecerão trabalho a espanhóis desempregados, principalmente nos setores de engenharia, saúde e turismo.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, no mês passado, exortou professores que não conseguirem achar emprego em Portugal a procurar oportunidades nas suas antigas colônias.

Na Grécia, por outro lado, o ministro da Fazenda, Evangelos Venizelos, defendeu no mês passado a criação de uma campanha para desencorajar a emigração. A Irlanda reduziu impostos na indústria do turismo, numa tentativa de aumentar as contratações e impedir que trabalhadores deixem o país. A Itália deu um incentivo fiscal “antiemigratório” para pessoas abaixo dos 40 que retornarem ao país, depois de dois anos trabalhando ou estudando no exterior.

Mas a crise da dívida na Europa põe esses governos sob uma pressão muito maior para aumentar impostos, cortar orçamentos e reduzir folhas de pagamento para manter os custos de empréstimo baixos — uma receita que pesa contra o crescimento.

A dívida da Espanha disparou depois que a bolha especulativa no seu mercado imobiliário estourou em 2008, lançando a economia numa recessão. Oito em cada 10 dos 1,5 milhão de empregos na construção criados nos últimos 12 anos desapareceram; pelo menos 700.000 das moradias construídas nos últimos 3 desses anos permanecem vazias.

Crianças a partir de 4 anos vão para o exterior estudar língua inglesa

A professora Maria Esther dá aula a bebês.
A professora Maria Esther dá aula a bebês.
Por: Maria Laura Machado 15/01/2012 Para cada quatro alunos, um professor fica responsável por toda a rotina das crianças, do café da manhã às lições e aos passeios em parques temáticos

É de praxe alguns alunos fazerem intercâmbio através das escolas de idioma ou agências de viagem. Geralmente, a viagem acontece na adolescência e rende muitas lembranças e experiências nos campos profissional e pessoal. Agora, imagine se seu filho de apenas 4 anos pedir para passar um mês nos Estados Unidos estudando inglês. No Rio, um programa promovido por uma escola de inglês leva crianças e adolescentes de 4 a 14 anos para passarem um mês na Flórida, estudando normalmente com alunos locais e vivenciando a língua e a cultura norte-americana desde cedo.

Mestre em neurolinguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a psicopedagoga Eloísa Lima, de 58 anos, trabalha há 20 com crianças e criou o programa, conduzido pelo Dice English Course, do qual é diretora. As viagens acontecem a cada dois anos e apenas no mês de janeiro, quando as escolas norte-americanas ainda estão em período letivo. Para cada quatro alunos, fica um professor responsável por toda a rotina das crianças, do café da manhã às lições e aos passeios em parques temáticos. Todos ficam hospedados em hotéis.

O curso, voltado para crianças a partir dos seis meses de idade até jovens de 16 anos, possui um convênio com o governo da Flórida, que permite a entrada dos alunos brasileiros no período letivo. Cada criança fica em uma sala separada para não se comunicar em português. Como moeda de troca, as crianças americanas recebem aulas de português e a receptividade dos professores conta pontos no currículo deles. A última saída aconteceu dia 2 de janeiro.

“Sempre achei que, na infância, trabalhamos melhor a aquisição de outra língua. O programa foi criado para fugir do senso comum dos cursos de idioma, onde os alunos ficam dentro de sala em um modelo formal, com situações fictícias. As crianças precisam vivenciar a língua de verdade. O estudo intensivo de um mês equivale a quase um ano de curso regular no Dice, com frequência de duas vezes por semana”, explica a diretora.

A professora Maria Esther trabalha há 7 anos na escola e é a terceira vez que ela acompanha as crianças na viagem. Para ela, as mais novas dão menos trabalho que adolescentes em relação à saudade e à adaptação. A convivência intensa faz dos professores um pouco pais dos alunos, já que cuidam da rotina, alimentação e roupas.

“Elas ficam tão envolvidas com as outras crianças que se sentem privilegiadas naquele grupo e nós, professores e Eloísa, ficamos juntos sempre. É muita novidade, a criança pequena realmente não sente esse impacto. A gente pede para os pais nos fazerem um relatório de como é o comportamento da criança. É um mês intenso e claro que a gente acaba criando um vínculo forte com elas”, relata.

Cuidado com as crianças

O planejamento é seguido à risca, com horário bem delimitados. Somente no final de semana é que as crianças têm mais liberdade para passeios a shopping e de se comunicarem com o Brasil em horários alternativos.

“O que é mais gratificante para a gente é ver o grau de independência que eles adquirem nessa viagem, tanto com relação à utilização da língua quanto das tarefas do dia a dia”, explica o coordenador pedagógico do curso Rodrigo Chindelar, de 30 anos.

Para os pequenos Pietro Motta Geronimi, de 12 anos, e Stefano Motta Geronimi, de 10 anos, a viagem promete ser inesquecível. Eles, que estudam inglês desde os 6 e 5 anos, respectivamente, vão curtir pela primeira vez um intercâmbio e se mostram bastante tranquilos. Para Pietro, a viagem poderá render boas oportunidades no futuro.

“Eu acho que vai ser legal para aprender melhor a língua, ver como eles falam e me acostumar para, no futuro, se precisar estudar ou morar lá, conseguir me comunicar. Acho que não vai ser tão difícil a escola por lá, sou bom aluno aqui”, afirma.

Experiencias – Intercâmbio cultural

Depois de nove meses gozando do sentido de ordem dos alemães, fui passar o Natal no Rio. E o que é que nove meses, a levar pito de velhinhas toda vez que atravessava a rua com o sinal de pedestres fechado (e sem nenhum carro vindo de lugar nenhum) ou pegava a ciclovia na contramão ou atravessava na faixa de pedestres sem desmontar da bicicleta, fizeram comigo? Já não sou capaz de ver nada além de sexo nas ruas (e ciclovias) do Rio.

Fiquei na maior excitação quando soube que, assim como em Paris, Bruxelas e Berlim, agora também há bicicletas públicas no Rio de Janeiro. Baixei o aplicativo no meu telefone antes mesmo de pegar o avião e corri para a estação mais próxima de casa assim que cheguei à cidade, no final da tarde, quando todo mundo estava saindo da praia, de bicicleta. Só restava uma na estação da Aníbal de Mendonça. Tive sorte de chegar segundos antes de um casal de banhistas. Estavam determinados a pegar aquela bicicleta. E resolveram esperar ao meu lado, no caso de alguma coisa não funcionar, enquanto eu discava o número indicado para liberá-la. Ao meu lado é brincadeira. Resolveram esperar a dez centímetros de mim, para não deixar dúvida quanto à sua precedência no caso de eu dar com os burros na água. E como não tinham nada a fazer além de me secar, e para não perder tempo enquanto esperavam, de biquíni e sunga, resolveram dar um chupão.

Não será por estar na Alemanha há nove meses, levando pito de velhinhas, que eu agora vou liderar a cruzada das senhoras católicas contra o chupão. Mas havia ali um negócio conspícuo: o casal tinha se postado literalmente a dez centímetros de mim, o que tornava muito mais complicados – extremamente complicados – o processo de liberação da bicicleta e a minha concentração diante dos malabarismos de línguas e bocas. Eu estava fascinado. Já não ouvia qual número devia apertar no telefone. Talvez fosse uma tática de guerra do casal. De qualquer jeito, graças a um esforço redobrado para pensar em outras coisas, saí vencedor. Era um casal simpático. E tinha espírito esportivo. Assim que liberei a bicicleta, pararam de se beijar, sorriram e foram embora resignados.

Se é que ainda havia alguma dúvida, os primeiros metros na ciclovia deixaram bem claro que eu já não estava em Berlim, perseguido por velhinhas a zelar pela obediência à lei. Mas isso não se traduzia necessariamente em liberdade. Logo entendi que, como na vida, tudo é possível numa ciclovia carioca. “É o maior estresse”, confirmou depois o filho de amigos, que no mesmo dia preferiu correr o risco de ser atropelado por um carro na rua a continuar com a bicicleta desviando do inesperado na ciclovia da praia. É claro que tudo tem um lado positivo – e, nesse caso, o exercício pelo menos é completo, físico e mental. A ciclovia carioca exige do ciclista uma atenção permanente, cobrindo 180 graus, para não se esborrachar com skates, bicicletas, carrocinha de picolé ou o que quer que venha na contramão. Sem falar nos cachorros e pedestres que surgem do nada, quando menos se espera, para passear e correr na ciclovia. Só os ciclistas não estão ali a passeio.

Ao me ver vindo em velocidade acelerada (e estabelecer o que se chama “contato ocular”), uma banhista, que arrastava pela calçada uma criança aos berros, aproveitou para pular na minha frente, como se quisesse testar os freios da bicicleta e os meus reflexos, e bem sonsa, dando pinta de cachorra, arrematou, sorrindo: “Ai, des-cul-pa…”, antes de sair rebolando, puxando a criança aos gritos. Não havia uma única velhinha alemã a quem eu pudesse recorrer para expressar a minha exasperação.

Tampouco adiantava tocar a sineta acanhada da bicicleta para alertar velhos amigos que se reencontravam e conversavam animadamente, na ciclovia, sobre os anos que passaram sem se ver; ou o inevitável casal (mais um) se beijando num amasso indiferente a skates, bicicletas e carrocinhas de picolé. A sineta só serve para atiçar o espírito de skatistas a mil pela contramão, com o nariz empinado, prontos a desafiar o seu sangue frio e ver até onde você aguenta antes de desviar. Também na ciclovia, pai bombado, de sunga e tatuagem, e mãe gostosa, de fio dental, garantiam ao filho e à filha, pequenos e boquiabertos, que Papai Noel existe (e tinham a prova: se a fulaninha ganhara passagem pra Disney bem antes do Natal, e já estava lá, era porque o Papai Noel é um só e os presentes são tantos que ele tem de ir adiantando o serviço pra poder dar conta do recado).

Olha só: fiquei preocupado. Só me faltava voltar pro Brasil possuído pelo espírito de velhinhas prussianas, acostumadas a conviver em paz com gente que tira a roupa em público ao primeiro raio de sol, expondo corpos assexuados em locais reservados pra isso, em parques, praias e lagos, mas que passam a brandir a bengala assim que detectam o menor sinal de transgressão. Berlim é sem a menor sombra de dúvida uma das cidades mais liberais do planeta, provavelmente muito mais liberal que o Rio em um monte de coisas. Em Berlim, há lugar pra tudo e pra todo mundo, para os nus e para os vestidos, mas com fronteiras muito bem demarcadas entre o público e o privado, cada coisa no seu lugar, sem riscos nem aventuras. No Rio, todo mundo está mais ou menos nu em toda parte (e não é à toa que é proibido tirar a roupa na praia, uma vez que não existe corpo assexuado) e até andar de bicicleta em ciclovia é uma aventura de alto risco. Foi preciso um amigo, que de alemão e de católico não tem nada, me dizer, babando de felicidade, que neste final de ano o Rio estava especialmente “feroz”, para eu entender que não tinha sido o único a notar. E, de volta ao mundo previsível das velhinhas prussianas, passar a defender urgentemente o intercâmbio cultural. Pelo bem dos dois mundos.

 

* Na imagem que ilustra este post: Everything you own, including the shirt off my back (2009), instalação da artista americana Mary Mattingly